
Segue o rumo do tempo, pedras e flores, poeira e vento...
Mãos surfando na ilusão de uma miragem de inverno, pingos de chumbo sobre o telhado de vidro, passos silenciosos na praça d'água, folhas secas envolvendo um sorriso forçado, foices nos olhos, facas nos punhos, serras no coração... nuvens escuras nas artérias, sol irradiante nas veias, soprando ventos de contentamento infeliz no pasto de conchas amarelas, cheiro de bolhas no orvalho do amanhã que nunca chega, miragens sob o fundo da garrafa azul, sede o fluído vital, fome da óstia corporal...
Fomas de grãos de areia no horizonte, o pratear da lua sobre a grama e árvore com suas lanças apontando para o vulcão de sonhos na erupção dos desejos, das lavas sofridas que invadem o jardim das sombras para acalentar a alegria inconstante dos ladrilhos emparelhados de um muro, dos tijolos de decepção se alinhando e formando um alicérce de experiência, levantando paredes de coragem, para que as telhas de escudo sejam eficazes contra a tempestade da mentira e dos desamores trovoados.
As janelas dos calcanhares, as vidraças do sofrimento, os fechos da experiência, a morada do sol azul, da flor cor de lágrima, do sorvete sabor ingratidão, da maçã com gosto de vida nova, da tv em branco e preto sintonizado no AM, do riso chorado, da fala silenciosa, do pranto escondido, do sentimento proibido, da inocência ao entendido...
Eis o que escrevo ou rabisco e não chego à grau algum, perguntas que perpetuam por eternidades para pouquíssimas respostas que ainda não consigo decifrar.
Uberaba 25/05/05 01:43 AM
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