segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nuvens Cinzas


Nesses dias cinzas (por sinal os dias que mais gosto), esses mesmos dias cinzas me deixam mais intenso em tudo que faço: sinto mais, penso mais e produzo mais.

O tempo nublado se torna uma espécie de cartilha em que eu tremulamente tento ler e acompanhar cada lição, recebendo um parabéns ou excelente no fim da página.

E é justamente, durante esse temporal de nuvens cinzas e ventos úmidos, que eu me conheço mais e no mesmo momento que tenho certeza do que quero me vejo avaliando se aquilo era realmente o objeto almejado.

Por esses e outros tantos motivos e acontecimentos, tenho deixado a mente, o coração, as palavras e os pensamentos livres, e por total surpresa me pego sentindo falta do cheiro, das caretas, da falta de promessas e do compromisso comigo mesmo, me pego lendo mensagens ou bilhetes que colocam a prova vários tipo de sentir que eu ando negando, fugindo e talvez evitando pelos tantos tropeços, pedras e devaneios que já presenciei.

As vezes o meu sentir sorri sem motivo algum e no pensamento já vem a figura de alguém que era um ser estranho tanto fisicamente quanto afetivamente, não sei o que virá e nem pretendo ter esse tipo de dom, só sei que os dias estão mais interessantes de serem observados e qualquer capim ou pedaço de mato vira poesia, e as bolinhas azuis ahh... essas bolinhas azuis são o começo de algo que se eu pudesse daria pause e permaneceria ali naquele momento até ter certeza que nenhum coração seria machucado e que os ladrilhos e as pedras das calçadas estivessem flutuando sobre o ar como o meus pés se encontram agora.

2 comentários:

  1. Às vezes escrever se torna o melhor caminho.
    Principalmente nos dias de nuvens cinzas.
    A ausência de cor parece nos libertar das regras, nos permitir.
    Então surgem letras, palavras, rabisco no papel... Texto.
    Eu ainda ousaria dizer que texto é um nome superficial demais pra essa tão sentimental organização e tradução delicada de sentimento.
    Tudo se torna claro, mesmo que o céu ainda esteja indefinido entre se vestir de branco ou preto.
    As saudades boas, as lembranças, os medos, as não promessas e as vontades de promessas.
    Tudo pode ser açucaradamente descrito, assim, como se fizessem parte de um longa-metragem que se passa em câmera lenta. Daqueles que a gente sempre assiste mais de uma, duas ou três vezes e mesmo assim é como se ainda não conhecêssemos o roteiro.
    Eu gosto da maneira como você brinca de quebra-cabeça com as palavras.
    É como se soubesse exatamente onde encaixar cada peça perdida.
    Lendo e relendo tenho a sensação de que eu também faço parte dessa história, da sua história.
    Por todas as palavras, frases, parágrafos e textos que são você.
    Por todos os outros seus textos que eu ainda hei de ler.
    Desejarei um céu de nuvens cinzas todos os dias!

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  2. Vou além, pois acredito que escrever é viver um mundo a parte, uma realidade na qual somos personagens narradores de uma obra repleta de anseios, medos, sentimentos dos quais ali naquelas linhas podemos alar nossos pensamentos com tamanha liberdade que as vezes sinto-me compelida a abolir as vírigulas e pontos que de certa forma limitam o que não quer ser interrompido.

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